segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um novo calendário para o futebol

Acabaram os Estaduais no país do futebol. Mas hoje o post não retratará a alegria dos campeões ou a melancolia dos vices.

Vivemos em uma sociedade onde o tempo se esvai. Isso se aplica ao futebol, especialmente ao brasileiro. Os Estaduais, campeonatos de grande tradição e rivalidade, são hoje tachados apenas como estorvos de calendário, competições que muitas vezes atrapalham o rendimento de determinadas equipes no ano. Se formos analisar friamente, a acusação tem fundamento. Somos o único país do mundo a organizar campeonatos neste modelo, nosso calendário está inchado e não seguimos a padronização européia e, recentemente, sul-americana! Então vem a pergunta... dá pra continuar?

A questão não é tão simples como parece. Não podemos esquecer que a CBF está sob gerência da CONMEBOL, e seu calendário deve comportar as competições sul-americanas de clubes. Isto interfere especialmente na Copa do Brasil, onde os clubes participantes da Libertadores, a princípio os melhores do país, são vetados... por falta de espaço no calendário! As duas competições são simultâneas. Culpa da CBF? Não...

Por que a CONMEBOL, tal como a UEFA, não alinha as Copas Libertadores e Sul-Americana? Hoje, a segunda competição do continente é completamente desvalorizada, e sua serventia assegura apenas a vaga do campeão na Libertadores do ano seguinte. Nenhum clube se importa de fato com a Recopa continental. O alinhamento das competições permite a mudança das regras da Sul-Americana, onde os eliminados com melhor rendimento da Libertadores seriam aproveitados, de forma semelhante à Liga Europa. Marketing, estrutura, tradição... a CONMEBOL tem tudo para elevar suas competições a um patamar maior, e não o faz. Qual o papel do Dr. Nicolas Leoz afinal? É impossível que nenhuma das grandes cabeças da confederação tenha pensado nisso. Falta de boa vontade? Por que?

Voltando ao futebol nacional... nós ficamos emperrados por conta da própria CONMEBOL. Como melhorar o calendário interno seguindo o padrão antiquado da Confederação Sul-Americana? O simples alinhamento da Libertadores com a Sul-Americana resolveria o problema do apertado calendário de futebol no país. Principalmente na Copa do Brasil, que ficaria ainda mais acirrada caso tivéssemos o segundo semestre inteiro para dividí-la com o nacional, tal como ocorre na Inglaterra, Espanha, Itália, França, Holanda, Alemanha, dentre outros. Um semestre dedicado às Copas continentais, outro dedicado aos campeonatos nacionais. Uma alteração de credibilidade e qualidade.


A proposta é simples, como vocês podem ver no quadro acima. Os Estaduais com início mantido para o meio de Janeiro e fim em maio, como atualmente; e as competições Sul-Americanas começando entre Janeiro e Fevereiro, com finais no início de Julho (calendário atual da Libertadores). Como Libertadores e Sul-Americana já foram disputadas no primeiro semestre, o segundo tem espaço para acolher a Copa do Brasil, com a participação de TODOS os grandes times do país. O calendário do Campeonato Brasileiro segue inalterado. Essas mudanças possibilitam ainda a criação de uma nova competição, tradicional em países europeus - a super-copa nacional, disputada entre os campeões do campeonato nacional e da copa nacional do ano anterior. A Recopa Sul-Americana, por motivos óbvios, passaria a ser disputada no fim do ano, antes do início do Mundial de Clubes da FIFA de Dezembro.

Percebam... o calendário básico não mudou, foi apenas reorganizado. Este formato valoriza TODAS as competições disputadas, sem sobrecargas (isso contando, claro, com a quantidade de jogos que os clubes brasileiros diputam por temporada atualmente). No entanto, para uma melhor preparação dos clubes, contando com pré-temporada e calendário folgado, os Estaduais devem ser banidos, e o Campeonato Brasileiro ter duração de 10 meses, e não de apenas 7 como é hoje.

Chegamos a uma nova e importante questão... afinal, quanto vale um Estadual?
Acabar ou melhorar? Eis a questão...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Semana Agitada

A semana começou agitada nas principais competições continentais do mundo. Jogos de volta pelas semifinais da Champions League e Oitavas-de-final da Libertadores.

Na terça, o jogo mais esperado da semana, com o resultado final aguardado por todos. Classificação sem sustos do Barcelona para a grande final. Em jogo onde o Real precisava fazer grande resultado em pleno Camp Nou, entrou respeitando demais o adversário (apenas o melhor time do mundo há três anos), embora marcando em cima com eficiência. Cristiano Ronaldo apagado e Higuaín fora de forma deram a tonalidade do esforço madridista, com um Kaká apenas esforçado e Xabi Alonso destemperado. O Barcelona de certa forma aceitava a pressão merengue, embora – como sempre – tivesse o domínio da pelota. Na segunda etapa, um gol mal anulado de Higuaín esquentou o jogo. Poderia mudar a história da partida? Não sei. Sinceramente acho que não. O Barcelona é muito mais time, tem os três melhores jogadores do mundo em perfeita sintonia, e resolveu a parada no lance seguinte, com gol de Pedro. Aguerrido, Marcelo decretou o empate e tentou puxar o time. Tentou. Adebayor não entrou bem e merecia o vermelho por entradas ríspidas seguidas; e Özil entrou tarde. Noite de festa em Barcelona. Não pelo desempenho da equipe, ou tão somente pela vaga. A volta de Abidal após retirada de tumor no fígado foi muito festejada, apenas um mês após o procedimento cirúrgico. E da melhor forma.

Pela Libertadores, a noite, o Santos carimbou sua passagem para as quartas no melhor estilo Muricy Ramalho. Retrancado, jogou pelo regulamento, contou com a sorte e competência do goleiro Rafael – o nome da partida, garantiu o 0 no marcador nos 2.750 m da Cidade do México e saiu feliz da vida. Terá agora o recesso da Libertadores para se dedicar às finais do paulistão. E o América, que não escalou força máxima em nenhum dos confrontos contra o alvinegro praiano, o fará contra o Puebla, pela fase final do Mexicano, à qual volta integralmente suas atenções.

A quarta decidiria o rival do Barca na final da Champions. Se a vantagem era dos red devils, o dia definitivamente não era dos mineiros. O time de Gelsenkirchen sofreu em Old Trafford. Mesmo com time misto, o Manchester United passeou, com dois gols de Anderson e mais dois anotados por jogadores reservas (Valencia e Gibson), e matou a partida ainda no primeiro tempo, com direito a frangaço de Neuer. Mesmo descontando, o Schalke precisava de mais 3 gols no segundo tempo. E quando o time se lançou definitivamente ao ataque, Anderson tratou de jogar a pá de cal na cova azul. Agora, a ordem é foco total para o jogo do campeonato no domingo, contra o Chelsea, que poderá definir o título da Premier League ou até mesmo colocar o Arsenal novamente na briga.

A noite seria ainda mais emocionante. E mais desastrosa para os brasileiros. Quatro equipes jogavam suas vidas na Libertadores, e pela primeira vez na história da competição quatro equipes de um país são eliminadas nas oitavas... e no mesmo dia! Seria uma nova data para o calendário do futebol brasileiro? A noite do improvável começou no Beira-Rio. Com um Internacional completamente superior em campo, que abriu o placar logo no início do jogo e o controlava ao seu bel-prazer, o Peñarol construiu em seis minutos – os primeiros do segundo tempo – o drama colorado, retrancou, contou muito com a sorte e eliminou o atual campeão da competição. Gremistas pulavam de alegria, mas ainda era cedo. A equipe de Renato Gaúcho foi amplamente dominada pelo Universidad Católica, perdeu por 1 a 0, e também está fora da competição – placar esperado depois da derrota em pleno Olímpico na semana passada.

Mas não parava por aí. As duas equipes de melhor desempenho na primeira partida das oitavas ainda entrariam em campo. O Fluminense – o Time de Guerreiros – construiu bela vantagem no Engenhão e jogou no Defensores Del Chaco como se não o precisasse fazer. O Libertad, que não tem nada a ver com isso, provou duas coisas. Realmente não tem um time tão forte como sua condição de segunda melhor campanha da Libertadores o titula; e que o futebol, principalmente o sul-americano, não apresenta mais o abismo que separava equipes argentinas e brasileiras das demais. O alvinegro de Assunção jogou solto, com a bola no chão, e mereceu o placar largo de 3 a 0 sobre os campeões brasileiros. O Fluminense que se apresentou no Paraguai foi o mesmo do segundo tempo no Engenhão, que contou com sorte e individualidade para abrir a vantagem no duelo. E que com a mesma facilidade a deixou ruir. Parece-me que o Time de Guerreiros gosta mesmo de contrariar a matemática. Seja para o bem, seja para o mal.

Mas, definitivamente, a maior decepção foi celeste. Depois de vencer e convencer ao atuar na Colômbia e ganhar por 2 a 1, o Cruzeiro sucumbiu ante ao Once Caldas em Sete Lagoas. Roger perdeu a cabeça ao ser expulso em jogo de mata-mata, com a magnitude de uma Libertadores, e prejudicou muito o time. Que diga-se de passagem não foi sombra do Cruzeiro da primeira fase. Caiu na mesma armadilha que o Fluminense, ao achar que o confronto já estava decidido. E o treinador ficou de Cuca quente ao agredir descaradamente Rentería e ser expulso sumariamente. Fim melancólico do, sem dúvida, melhor time da competição e principal candidato ao título.

Halloween antecipado? Creio que não. Mas a bruxa estava solta Brasil afora nesta quarta!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Champions League - Oitavas de Final

A fase mata-mata do maior torneio de Clubes do planeta começou. E não podia ser melhor. Jogos eletrizantes, placares inesperados, grandes ingredientes para os fãs do esporte.

Na terça, as atenções estavam voltadas para o San Siro. Em Milão, o líder do Italiano Milan recebera os jogadores-sensação do Tottenham. Jogo duro, mas bem jogado. Os rossoneri tinham o exemplo de seu arquirrival de como não se deve jogar contra os ingleses, e pareciam dispostos a tal. No entanto, bem armado, o Tottenham não deixava o Milan tomar conta do jogo, e sempre usava sua arma mais letal - a velocidade de contra-ataque, obrigando Abbiati a trabalhar. Em uma dividida, pior para o goleiro, que foi substituído por Amelia. Com Van der Vaart, Lennon e Modric em campo, mesmo sem Bale, o Tottenham anulava as subidas do Milan. A entrada de Pato no segundo tempo mudou completamente o panorama do jogo, e o Milan passou a comparecer ao ataque com perigo, tomando as ações do jogo. E Gomes mostrou o porquê da adoração da torcida do Hotspur por ele, com uma atuação de gala. Na pressão, O Milan desguarnecia sua zaga em busca do gol. E em mais um contra-ataque da equipe londrina, Lennon arrancou do campo de defesa e rolou na pequena área para Crouch definir o marcador da partida, aos 35. No fim da partida, mais confusão, e Gattuso suspenso para a partida de volta.




Na quarta, o jogo mais esperado desta fase - os Gunners recebiam o "melhor time do mundo". E não há quem não fique preocupado em enfrentar o Barcelona. O que se viu no primeiro tempo foi um completo baile de gala dos visitantes, com toques rápidos, curtos, de classe, com completo controle das ações de jogo, principalmente no setor do meio-campo. O Barcelona joga bonito, mas peca no enfeite. Abriu naturalmente o placar com David Villa no meado do primeiro tempo, e poderia facilmente ter liquidado a fatura, não fosse a falta de capricho de Messi. O argentino jogou demais, mas perdeu frente-a-frente com Scezny. Acuado, Arsène Wenger mexeu com os brios do time, que voltou igualando as ações no começo da segunda etapa. Nasri aparecia mais solto, e Van Persie caindo pelas laterais mudaram a postura de ataque dos donos da casa. Mas ainda não era o bastante. Agora no contra-ataque, o Barcelona assustava, e Messi mais uma vez perdeu, de forma incrível, na cara de Scezny, a chance de matar a partida. Sabendo que um revés desta magnitude seria fatal para as pretensões do Arsenal na Liga, Wenger alterou o esquema, mandando o time para o ataque, com a entrada do contestado Arshavin e Bendtner no lugar de Song e Walcott. Enquanto isso, Guardiola tirava Villa de campo para reforçar o meio com Keita. Com mais gente na frente e na base da velocidade, o Arsenal chegou ao empate em grande jogada de Van Persie. O Barcelona continuou atacando, e em contra-golpe puxado por Fábregas, Nasri rolou para Arshavin livre virar a partida cinco minutos após. O Emirates veio abaixo, o Barcelona sentiu o golpe, e o Arsenal ainda desperdiçou chance de ampliar. Nada que estrague a festa londrina. Será o início da redenção do russo com a torcida?



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Jogos que vi: Fluminense 2 x 3 Botafogo

O fim-de-semana foi repleto de clássicos. Fim de tabu no Arruda com vitória do Santa por 2 a 0 sobre o Sport, Vitória com acachapantes 3 x 0 sobre o Bahia, ressurreição alvinegra no 1 x 0 corinthiano sobre o Palmeiras, empate entre Avaí e Figueirense no Orlando Scarpelli... mas nenhum destes chamou tanto a atenção quanto o Super-Clássico Vovô disputado no Engenhão.

Nenhum dos 16.759 presentes há de reclamar do dinheiro investido no espetáculo. Sem rodeios, um jogão. De um lado Fred, Conca, Souza e a reestréia do He-Man Rafael Moura. Do outro, o (cada vez mais) sensacional Jefferson, Renato Cajá, Antônio Carlos e El Loco Abreu. E, infelizmente, com uma antiga atração à parte - a arbitragem. Noite completamente infeliz do Sr. Gutemberg de Paula Fonseca, que perdeu o controle da partida ainda no primeiro tempo, após expulsões completamente equivocadas de Valência (não existiu falta sobre Herrera) e de Marcelo Mattos (a falta sobre Conca era para cartão amarelo apenas) nos acrécimos da primeira etapa. Para completar a polêmica, duas penalidades marcadas em sequência em favor do alvinegro - a segunda enxergada única e exclusivamente pelo árbitro. Ao todo, 11 cartões amarelos, 2 vermelhos, e revolta das duas equipes. Fora isso, o que se viu foi um Botafogo muito mais empenhado em busca da vitória que a equipe tricolor. Com Fred apagado, Conca ainda em busca de ritmo, e Souza bem marcado, as investidas do Fluminense dependiam de Carlinhos e Mariano. O Botafogo, por sua vez, contava com o inspiradíssimo Renato Cajá, que logo no seu cartão de visitas inaugurou o marcador em bela cobrança de falta, fora do alcance de Cavalieri. Sem muita organização, as investidas do Tricolor baseavam-se em bolas alçadas para Fred e Rafael Moura.

Oportunistamente, o He-Man antecipou a marcação alvinegra em cobrança de escanteio e de cabeça decretou o empate no Olímpico João Havelange. Ainda assim, o Botafogo era mais arisco, e suas subidas com Márcio Azevedo e Cajá levavam perigo (este, aliás, acertou dois lindos petardos no travessão, com direito a um gol não observado pelo auxiliar de linha-de-fundo). Em uma delas, Herrera foi lançado em profundidade, simulou falta e cavou a expulsão de Valência. Após a polêmica, o panorama seguia inalterado - Botafogo com a posse de bola, e Fluminense no contra-golpe. Mesmo com um a menos, em nova bola alçada na área, o He-Man aproveitou desvio de Fred e fuzilou Jefferson. Era a virada Tricolor. Antes do fechar da conta, Marcelo Mattos foi expulso epós entrada em Conca.

Se o jogo estava quente no primeiro tempo, o fogaréu acendeu por completo no segundo. Logo no início, Rafael Moura fez pênalti em Loco Abreu. Tensão no Fluminense, aliviada com a defesa tranquila de Cavalieri após cavadinha manjada do uruguaio. Na sequência, novo penal assinalado a favor do Botafogo, em falta totalmente discutível de Edinho sobre Bruno. Novamente Abreu para a cobrança, novamente cavadinha, mas desta vez a bola morreu no fundo da rede. 2 a 2. Após muita reclamação, o jogo reiniciou e notou-se claramente o abatimento dos jogadores do Fluminense com o lance. O jogo ficou aberto, e num contra-ataque, Renato Cajá lançou primorosamente Herrera, que fuzilou. 3 a 2 Botafogo. A partir de então, o Fluminense cresceu na partida. Era a hora da estrela do time de General Severiano brilhar. Jefferson fechou o gol, com pelo menos 4 defesas de alta complexidade, e garantiu a invencibilidade alvinegra para a sequência da Taça Guanabara.



Para dirimir a polêmica entorno do jogo, Jorge Rabello (presidente da Comissão de Arbitragem da FERJ) concedeu coletiva criticando a postura do árbitro da partida, segundo ele "uma atuação muito abaixo da de um árbitro de Padrão Fifa". Ele não entrou no mérito interpretativo dos pênaltis assinalados, e afirmou categoricamente que o auxiliar de linha-de-fundo estava bem posicionado, e que a bola de Renato Cajá não entrou completamente.

Fim de papo, e a equipe da Estrela Solitária mostrou que vai em busca do Bi Estadual. Fluminense e Flamengo devem travar o confronto mais esperado do Cariocão neste ano já na próxima fase. E o Resende vem mostrando que no futebol não existe mais toda aquela diferença entre clubes de alto e baixo investimento. As semifinais prometem!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

De volta à ativa!

Meus caros... após um longo e conturbado período, volto a me dedicar à análise do futebol, palpites e afins. Muita coisa aconteceu de seis meses pra cá. No cenário internacional, o falecimento do inestimável mago dos resultados - o Polvo Paul. Além disso, o título mundial da Internazionale em dezembro vale destaque. Para o futebol nacional, creio que os resultados mais expressivos foram a excelente campanha da equipe do Goiás no vice-campeonato da Copa Sul-Americana, a derrocada inacreditável do Internacional perante o Todo Poderoso Mazembe na semifinal do Mundial de Clubes, e o título brasileiro do Fluminense após 26 anos de jejum.




Fora os títulos e campanhas, vale ressaltar a importância que o futebol argentino vem ganhando no cenário nacional. Carentes no setor de criatividade, os grandes clubes brasileiros tem salvaguardado a tradição do futebol canarinho em terras vizinhas. Jogadores como Conca, D'Alessandro e Montillo abriram um mercado que se mostra em expansão neste começo de ano, com contratações interessantes como Botinelli, Bolatti e Cavenaghi.


Outros fatores neste começo de temporada também chamam a atenção. A boa campanha do Ceará no Cearense após reforços como Fernando Henrique, a boa campanha do Santa Cruz no Pernambucano, a campanha ruim do Sport no mesmo e do Goiás no Goiano... mas dois fatores negativos tomaram conta do cenário nacional. O pior início de temporada da história do Vasco da Gama, com 1 ponto conquistado em 15 possíveis; e a pior campanha de um clube brasileiro na história da Libertadores da América, com a eliminação mais que precoce do Corinthians para o Deportes Tolima na fase pré-grupos.



O bom time que o Flamengo vem montando para a temporada, com a estréia de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Botinelli, merece atenção, assim como os reforços de Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense e São Paulo.

Este ano promete... E a rodada do fim-de-semana tá logo aí! Clássicos regionais à vista!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os Manos do Menezes


Hoje era grande a expectativa em torno da primeira coletiva de Mano Menezes no comando da Seleção. Além de ser considerado um dos 3 grandes técnicos da atualidade no futebol brasileiro (Muricy e Felipão fecham a lista), tinha uma (in)grata missão como desafio de estréia - uma convocação que demonstrasse o novo velho espírito do futebol brasileiro, tão arguido desde o início da Era Dunga e apagado no cenário nacional. E o pior - tudo em um prazo menor que 48 horas. Era a dor de cabeça que Mano queria há tempo, bastava ver sua feição durante a apresentação.

E para quem não teve tempo para avaliar todas as possibilidades, Mano agradou a gregos e troianos, convocando uma seleção que, ao menos no papel, tende a retomar o estilo ofensivo característico da Seleção Canarinho sem desguarnecer a retaguarda brasileira. Foram 24 convocados (1 deles será cortado em função do clássico Internacional x São Paulo pela Libertadores), sendo 12 domésticos e a outra metade de "estrangeiros". Remanescentes da Copa 2010, apenas 4. Para quem almejava uma renovação completa, desde a base, aí está o resultado. E agradável.

Eis a lista:

Goleiros - Renan (Avaí), Jefferson (Botafogo) e Victor (Grêmio).

Laterais - Rafael (Manchester Utd.), Daniel Alves (Barcelona), Marcelo (Real Madrid) e André Santos (Fenerbahçe).

Zagueiros - Thiago Silva (Milan), David Luiz (Benfica), Henrique (Racing Santander) e Réver (Atlético-MG).

Meias - Sandro (Internacional), Ederson (Lyon), Carlos Eduardo (Hoffenheim), Hernanes (São Paulo), Ramires (Benfica), Ganso (Santos), Lucas (Liverpool) e Jucilei (Corinthians).

Atacantes - André (Santos), Robinho (Santos), Neymar (Santos), Pato (Milan) e Diego Tardelli (Atlético-MG).

De notável na lista, a redução da média etária para 23,1 anos, e sete dos convocados estão em idade olímpica. No geral, uma convocação que atende todas as necessidades de uma Seleção ofensiva em construção. Claro que esta não é a Seleção definitiva, ainda está longe disso. Da base deixada por Dunga, Júlio César, Maicon, Kaká e Elano são nomes aguardados no decorrer das convocações. Fred (provavelmente não convocado pela lesão sofrida no Clássico Vovô) é outro nome muito cogitado para o grupo de Mano Menezes. Jovens como Giuliano (Internacional), Maikon Leite (Atlético-PR) e Maicosuel (Botafogo) tem potencial para almejar algum lugar nessa renovação. Bruno César (Corinthians) e Gum (Fluminense) estão em estado de graça e podem trabalhar visando um futuro nem tão distante. Na lista de Goleiros, incluiria como opções futuras Fernando Henrique (Fluminense) e Fábio (Cruzeiro). No entanto, com o retorno iminente de Júlio César, a disputa será por duas vagas e a coisa complica. No meio-campo, Denilson (Arsenal) merece uma oportunidade.

Quanto aos pontos positivos da lista, o entrosamento do setor ofensivo é o destaque. A escolha de Ganso, Neymar, André e Robinho não foi por acaso, e ao menos três destes devem sair no time principal. Na escolha de apoiadores e contensores de meio, Mano foi certeiro ao convocar Ederson e Hernanes. Não gostei muito da convocação de Jucilei, mas deve ficar no banco. As laterais estão (finalmente) equilibradas em bom nível, e a renovação da zaga, de início, está perfeita. No gol, a título de teste, a convocação foi muito boa (reitero que escolheria Fábio ou Fernando Henrique no lugar de Jefferson, que é inegavelmente bom goleiro).

Mantendo o 4-4-2 histórico da Seleção, imagino o time de saída com Victor; Daniel Alves, Marcelo, Thiago Silva e David Luiz; Hernanes, Ederson, Ramires e Ganso; Robinho e Neymar.

Esse time promete...

domingo, 25 de julho de 2010

A dança do Brasileirão e o novo técnico da Seleção

A Copa acabou, e o Campeonato Brasileiro voltou com tudo. Dentre os clubes, destaque para a arrancada Colorada rumo ao G4, concretizada hoje com a vitória sobre o Flamengo no Beira-Rio, e pela dança da liderança entre os bons times de Corinthians e Fluminense, com 24 e 23 pontos respectivamente. Ao que parece, vai se desenhando o pelotão de luta pelo caneco, e a estes três pré-citados juntam-se Cruzeiro e Santos.

Atual campeão, o Flamengo vai mal das pernas e precisa contratar reforços com a máxima urgência, para todos os setores do campo. Atlético-MG, Grêmio e Botafogo decepcionam, não apresentam consistência e variam muito durante seus jogos. Apesar da campanha atípica, o São Paulo deve se recuperar e lutar na parte de cima. Vasco, Atlético Paranaense e Avaí mostram certo poder de reação com a chegada de reforços, mas pelo que apresentam lutarão mesmo é pela Sul-Americana. O Palmeiras de Felipão ainda não encaixou, mas promete. Já o Vitória só estreará nessa volta do Brasileirão após a decisão da Copa do Brasil contra o Santos.

No entanto, nada chamou mais atenção que a escolha do novo técnico da Seleção penta-campeã mundial. Por alugumas horas, Muricy Ramalho foi o dono do cargo mais cobiçado do mundo. Mas que acabou mesmo na mão de Mano Menezes. Líder do Brasileirão na quinta-feira, Muricy foi abordado na saída do Maior do Mundo e aceitou o comando técnico do Brasil na sexta. No entanto, Ricardo Teixeira exigiu exclusividade, e Muricy dependia apenas da liberação do Fluminense. O Tricolor carioca não apenas não liberou, como também pronunciou, através do presidente do clube Roberto Horcades, e pelo presidente da patrocinadora, Celso Barros, que exigia exclusividade e não aceitava dividir o técnico com a Seleção. Além disso, foi anunciada a renovação de contrato de Muricy até o fim de 2012.

Desde a eleição do novo presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, CBF e Fluminense não mantém relação amistosa (a Confederação apoiava a eleição de Kléber Leite), e já era imaginado que o clube não facilitaria a vida de Ricardo Teixeira. A situação do tricolor também não era confortável. Imaginem o líder do Campeonato perder seu técnico da noite pro dia... não havia um plano B em relação ao cargo no Fluminense, e toda uma reestruturação do futebol seria comprometida com a liberação de Muricy.

Diante do impasse, a CBF engatilhou seu plano B para o comando - Mano Menezes. Ao contrário do Flu, o Corinthians não dificultou e liberou Mano para a Seleção. Em depoimento emocionado, o presidente Andrés Sanches desejou sorte à Mano e relatou a importância do técnico na retomada do orgulho corinthiano. Como, ao contrário do Fluminense, o Corinthians já previa convite à Mano, o clube também anunciou Adilson Baptista no comando do alvinegro (amelhor opção para o lugar de Mano, diga-se de passagem).


Mano Menezes, assim como Muricy Ramalho, tem o perfil para comandar a renovação canarinho. De competência comprovada, já comandou reviravoltas espetaculares, como a vitória gremista na Batalha dos Aflitos. Suas passagens por Grêmio e Corinthians dispensam qualquer cartão de apresentação. Aficcionado por treinos táticos e técnicos, é considerado por muitos como um comandante defensivista. Particularmente, eu discordo. Trata-se de um estrategista que sabe lidar com o elenco que tem na mão, e controla bem seus comandados. À revelia de Dunga, tem bom relacionamento com a imprensa e assume o cargo com status de vencedor.

Mano prioriza o toque de bola, e gosta de armar times que alternem seu estilo durante o jogo, em função do adversário e da partida. Sempre monta excelentes defesas, e gosta de criatividade no setor do meio-de-campo, cam saídas rápidas pelas laterais. A grande esperança do torcedor brasileiro, hoje, é a manutenção do sistema defensivo de Dunga com a convocação de jogadores com poder de decisão para a criação. Ricardo Teixeira disse que a nova Seleção será "mais caseira", e as especulações começaram. Amanhã tem convocação, quais serão as novas caras na Seleção mais tradicional do mundo?